quinta-feira, 11 de maio de 2017

Coisas novas para pensar



Não sei se me apoquenta mais a minha vida se a morte dos outros?

Ou se me apoquenta mais a minha morte do que a vida dos outros?


Ora aqui está uma daquelas chachadas que de vez em quando me vem à cabeça e me faz pensar.




Sobre o perdão



Ah, o perdão.
Essa coisa tão prodigiosa e dignificante.

Digo muitas vezes que gostava de ser melhor que aquilo que sou. Que gostava de exercer a gratidão mais vezes que aquelas que faço. Que gostava de ter um espírito mais elevado que aquele que tenho.

Nunca me lembro de ter dito que gostava de perdoar mais vezes que aquelas que perdoo.

Porquê?
Eu acho que já sou uma pessoa bastante boa na arte de perdoar. Nunca tive grandes problemas em aceitar fazer as pazes, em aceitar um pedido de desculpas e, até, em fingir que não se passou nada só para não ter de chegar à parte do conflito que, potencialmente, gera o momento da zanga e , consequentemente, o pedido de desculpas. E até já pedi desculpas mesmo sabendo que não tive culpa nenhuma. E até foi sentido. Na boa.
Não. Nunca fui muito difícil nesse aspecto. Acho que o facto de ser muito empática e, como tal, ter facilidade em me colocar no lugar dos outros me faz compreender sempre o lado dos outros, para além do meu lado e da minha visão dos acontecimentos.
Também achei, em tempos, que isto significava maturidade e, por essa razão, batalhei internamente para ser um ser humano mais inteiro neste aspecto. Não, não vale muito a pena, caso estivessem a pensar iniciar-se em exercícios de auto-elevação espiritual, emocional, noves-fora-nada...

À parte dos argumentos favoráveis à minha pessoa, também tenho um outro lado menos simpático e, assumo, um pouco radical em relação a isto do perdão: só me lixam mil trezentas e setenta e cinco vezes. À milésima trecentésima e septuagésima sexta vez, levam uma cruz tão grande em cima que acaba-se todo e qualquer contacto para sempre. E este é um caso em que digo com  toda a segurança, "para sempre".
É. nisto não sou lá grande charuto e acabo por baralhar imenso as pessoas. Trinta e cinco anos a perdoar toda a espécie de pressões, desilusões, agressões, o diabo-a-sete, e depois no trigésimo sexto ano já não perdoo?! Élecas!! A mulher está doida!!
Eu sei, eu sei, é necessário um momento de reflexão para eu melhorar isto.

Mas assoma-se-me outra questão: como é que alguém quer o perdão de outra pessoa sem, sequer, lhe o pedir?
Sim, porque, vejamos, a modalidade "ela é que me tem de perdoar vindo ela pedir desculpas" é uma cena que não lembra a ninguém! Mas a verdade, e talvez já vos tenha acontecido, é que há mesmo quem não esteja disposto a baixar a guarda por entender que a "guarda" é o limite para a sua humilhação.
Pedir desculpas, não é auto-humilhação. Pedir desculpas é ser-se um ser mais elevado, mais preparado, mais consciente, mais completo, mais cordial, mais humano, mais amigo...

E eu tenho dias em que olho para trás e tenho pena de não ter sido melhor a resolver conflitos que se irão perpetuar, inevitavelmente, pelo amanhã. Eternamente, talvez. Mas, por outro lado, olho para o agora, para a ilha que sou, e percebo que andei muitas vezes a carregar as responsabilidades às costas e ninguém quis saber.
E para fazer as pazes, para haver o perdão, são preciso duas partes com um objetivo em comum porque "quando um não quer, dois não dançam".
E estou farta e cansei-me de dar ao caneco.