quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Cubo de espelhos




Meti-me numa caixa - podia dizer a vida mas, porra, não posso culpar a vida de tudo - e mal consigo mexer os ombros. Estou de cócoras e braços arrumados ao longo do corpo. Inertes. A caixa lembra-me muitas vezes uma ideia dos tempos das aulas de projeto: o cubo de espelhos invertidos. Um cubo feito com espelhos virados para dentro cria um efeito de infinito. Em teoria sim, se tivermos luz. Por outro lado, se estivermos na escuridão não há como comprovar esta teoria porque não há condutor para a criação da imagem. A ideia do cubo infinito é inquietante. Um cubo - finito - que é infinito.
Tão limitado e tão potencialmente libertador.
Estou numa caixa que podia ser um cubo de espelhos invertidos, mas não é. Porque eu ainda não acendi a luz. 

E há qualquer coisa de doloroso e gostoso ao mesmo tempo em ter-me apertada entre seis planos, a conviver comigo, dentro de mim, exausta, claustrofóbica, e, ainda assim, resistir em acender a luz.

[Porque ainda me questiono se o botão por esta altura será um interruptor ou um gatilho.]



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