sábado, 27 de junho de 2015

O meu tutu é branco




Estou a umas horas de entrar em palco pela primeira vez de maillot e tutu.
Tinha um texto escrito sobre isso há meses.
Agora paniquei.
Apaguei tudo.
Volto mais logo.
Depois conto.

Mas o título do outro post era "Qual foi a coisa mais bonita que já fizeste por ti?"
E é bem possível que se mantenha.


quinta-feira, 25 de junho de 2015

Simples





O que te sinto é tão simples
que não sei se já te o disse.



[nunca vos aconteceu?]




quarta-feira, 24 de junho de 2015

Andei a ler coisas para trás e encontrei uma velha amiga de que vos quero falar

Rocio Montoya



Por vezes, quando volto atrás no blog, como aconteceu hoje, aliás, agora mesmo, leio coisas e encontro-me em coisas que escrevi das quais já nem me lembrava e penso, sobre essas coisas e sobre essas pessoas que fui: caramba, como és uma pessoa bonita.

Depois, lembro-me das pessoas que estão desse lado - algumas ao meu lado - e que não gostam que eu escreva, e que já me pediram para parar de o fazer e penso: caramba, como os outros te acham uma pessoa feia.

[E acho que não mereço que me achem feia. Feia por dentro. Ou que me achem estupida, que é outra forma de me acharem feia. Ou que me achem ignorante, que é a forma mais feia de achar alguém feio. Na verdade, antes queria ser feia. Feia por fora. Para que me deixassem escrever qualquer coisa sem me chatear. Porque assim era só uma coitadinha. Uma coitadinha que, é tão feia, que, ao menos deixa-a lá escrever para mostrar o bocadinho de bonita que é lá por dentro.
E é esta a pessoa de que vos queria falar.]


terça-feira, 23 de junho de 2015

Ao meu filho



Quando leres esta carta ela terá mais de quarenta anos. Talvez mais de cinquenta. Eu já terei partido.
A mãe escreve-te esta carta à distância do tempo em que soube que não te iria ter. À distância das dores dos dias em que soube que não te poderia ter.
Mas a mãe, bem sabes, porque te hão-de ter contado todas as minhas epopeias e as minhas tempestades de espírito, teve uma daquelas personalidades difíceis de abalar. E perante um desejo tão profundo, teve dificuldade em deixá-lo para trás e por isso lutou com todo o tempo e forças que lhe restaram na vida para o concretizar: ter-te.
Quando leres esta carta, sei, porque sei, e os que cá ficaram ter-te-ão contado porque é que sei, que já cá não estou. E, por essa razão, estás a ler esta carta sozinho. Mesmo sem saberes bem porque é que esta pessoa que não conheceste te deixa estas palavras. Sem saberes bem porque é que este amor me moveu a lutar por ti. Sem compreenderes como e porquê se luta por uma coisa que não existe. E é por isso que te escrevo esta carta. Para te explicar porque razão te quis tanto depois de saber que não te podia ter. Porque razão se passa uma vida a não querer algo e depois, perante a confirmação de que efectivamente não a teremos, afinal, já a queremos tanto. Não será uma lição de vida meu filho. Essas aprendem-se vivendo. É apenas a história do dia em que soube que perante a possibilidade de não te vir a ter te passei a amar e a querer ainda mais. Como uma menina mimada. É a história desta mulher mais nova que tu, em relação à idade que terás neste momento em que lês a carta, e que, no entanto, já é tua mãe mesmo sem o ser. Tens, neste  exacto momento, o amor mais honesto, desapegado e sincero, que uma mulher alguma vez te poderá dar. Tenho agora trinta e quatro anos e amo-te a ti e ao teu pai e a história desta carta resume-se a isso. 
Amo o teu pai karmicamente, para além do humanamente compreensível, e quis perpetuar esse amor numa comunhão genética que, apesar de se mostrar difícil, na minha cabeça, sairia perfeita. Não sei se és perfeito, mas na minha cabeça sempre imaginei que sim. Feio como o teu pai, inteligente como eu. Era assim que o desejávamos. 
Vou ter-te, se não me falham os astros, para lá dos meus quarenta anos, e o meu corpo, já saberás a história, não aguentará. Vou deixar-vos, amores da minha vida, entregues um ao outro. A ti e ao teu pai, num choro despregado, por razões dolorosamente diferentes. 
Não sei se compreendeste tudo o que te disse. Não sei se compreendeste o propósito destes palavras e de tantas voltas. Não sei se justificas uma vida com outra. Mas no fim, contas feitas, a única coisa que quero que compreendas passados tantos anos, é que tudo, tudo, todas as lutas, todas as perdas, todos os choros, resumiram-se a uma só coisa que podia ter poupado todas estas palavras: o amor.
No dia em que soube que podia não te ter, senti mais amor por ti, e senti que podia não estar a dar todo o amor que devia ao teu pai e isso assustou-me: poder viver sem mais amor. Já imaginaste o que é passar uma imensidão de vida sem qualquer espécie de amor?
Apesar do corpo, o meu, apesar de Deus, o nosso, não nos ter traçado a tua existência eu quis mais. E consegui mais. Eu ousei arriscar ter todo o amor possível na nossa vida. E tive.
Nesse dia dei-te o meu lugar.
Não podíamos ficar os dois.

Perdoa-me, se ainda não o tiveres feito.
Acredita na eternidade porque é lá que nos encontraremos e te poderei dar um primeiro abraço.
Eu jovem. Tu velho. O teu pai... sem idade, como sempre o vi.



segunda-feira, 15 de junho de 2015

Para sempre



Para sempre.
Se for para sempre, nunca iremos contar os dias juntos.
Apenas as sobras entre os nossos morreres.
Apenas os dolorosos dias entre os nossos fins.
Sozinhos.
Se for para sempre, até que um de nós morra,
Os dias que se seguirão serão noites.
O Sol não mais nascerá.
A chão não mais será pisado.
O mar nunca mais será avistado.
A brisa nunca mais tocará a pele cansada.
Nos dias que se seguirão,
Que se esperam poucos,
A dor tomará conta dos órgãos vitais,
E consumi-los-á.
E os dias terão, finalmente, outro fim.
Porque quereremos que o nosso para sempre,
Continue noutro lado.

Até lá,
Enquanto os dias que ditarão os nossos fins não chegam,
Vive o nosso para sempre.
Conta os dias que faltam até morrermos.
Pensa na idade com que deveríamos morrer.
E pensa que deveríamos ser imortais.
E quantos dias vive um imortal?
E que amor não deveria viver para sempre?
Deixa este amor tomar-nos conta dos órgãos vitais,
E consumi-los.
Consumir-nos e tirar-nos os sentidos.
Cegar-nos.
Dar-nos a dor que, de tanto doer, sabemos que é amor.
E os dias terão, finalmente, outro sentido.
Porque se queremos ter o nosso para sempre,
Temos de nos entregar antes que os nossos dias,
Um dia,
Acabem.
E nós não sabemos quando esses dias vão chegar,
Mas sabemos que chegarão.
Então porquê perder dias a contar os dias,
Em vez de viver os dias como se amanhã um de nós já não os tivesse?



domingo, 14 de junho de 2015

Time for T.



Ontem fui ver um concerto deste grupo, os Time for T.
E estava um frio dos diabos.
Mas o sítio onde aconteceu o concerto é lindíssimo e já o ano passado tinha falhado e achei que tinha de ir. E não dei o meu tempo nada por perdido. Comprei o CD, não comprei a T-shirt, apesar de o vocalista insistir que o algodão era de muito boa qualidade, e vim para casa com vontade de trautear uma ou duas canções mas, como sou muito má de ouvido, na verdade, não ficou cá nada registado para além do frio que trouxe agarrado aos pés. Bom, para além de me apetecer trautear uma canção, também fiquei com vontade de fumar uma ganza e de a seguir vir para casa fazer amor.
Por isso o concerto foi um bom concerto.

Mas ali na parte de trautear uma canção tive um problema. Não saber reproduzir uma canção deles não era propriamente um drama porque estava a ouvi-las pela primeira vez, mas comecei a procurar mentalmente uma música para ir a cantar a caminho de casa e, raios me partam, percebi que não sei uma música do princípio ao fim. Sei rezar um Pai Nosso ou uma Avé Maria do princípio ao fim, mas uma música não. E então se começar a pensar numa que goste mesmo, mesmo muito, ui!
Pensei naquela do Djavan, "Meu bem querer", pensei noutra meia-dúzia do Caetano Veloso, mas só me lembrava dos refrões.
Eu tenho de ir tratar disto.
Caramba, EU NÃO SEI A LETRA DE UMA MÚSICA DO PRINCÍPIO AO FIM!!!! Isto não acontece a ninguém pois não?
Ou estava muito toldada pelos Time for T. ou sou mesmo aquela nulidade musical que, enfim, também não tem sido propriamente um segredo para a humanidade.
Já denunciei aqui várias vezes o meu péssimo gosto musical, e a minha imensa dificuldade em educar-me (eu sou a pessoa que precisa ouvir o My All da Mariah Carey quando estou deprimida no trabalho), com a agravante de não conseguir fingir que gosto muito de ouvir coisas do tipo António Zambujo ou Nirvana (eu sei que são coisas diferentes, muito) só para parecer enturmada. No entanto não consigo estar sem música, talvez ninguém consiga, e estou aberta a conhecer coisas novas e mais ou menos empenhada em educar-me. O que não quer dizer, necessariamente, aberta a aceitar indiscriminadamente o que ouço. Mas isto são outros quinhentos e daqui por duas linhas estou a chamar-me burra e não vale a pena porque até acho que não sou.

Mas voltando aos Time for T. deixo-vos aqui o "Tom Tom" que foi antecedido de toda uma descrição por parte do vocalista digna de registo mas que, em vez de vos contar, vos sugiro que tentem apanhar um concerto e vão ver e ouvir por vocês mesmos. Vão gostar da experiência (miúdas, metam os olhos no rapaz vestido de sofá... o que há-de estar a tocar teclas, mas vocês vão perceber o que eu quero dizer).







terça-feira, 9 de junho de 2015

ALERTA!




Não sei se concordam comigo mas
O maior flagelo mundial é:









A falta de sentido de humor.


quinta-feira, 4 de junho de 2015

Bizarrias, Google e Blogs - III








E, entretanto, este ano, apesar de eu pensar que o Dias Cães já se tinha tornado num blog sério,  sou surpreendida por estes tesouros.
Quanto ao que se segue, juro pela minha saúde, não é inventado por mim. Vocês é que são doentes!



Quero ser gay - Este é já um clássico do Dias Cães. É o ítem mais pesquisado no blog (a par de "pilas grandes") mas, infelizmente, nunca consegui dar resposta a este dilema. No entanto, folgo em saber que não temem entrar nesta casa em busca de uma resposta.

Cansada de chá com torradas na cama - [Por favor, envie-me o número de telefone do seu marido através de mensagem privada. Obrigada.]

Mãe solteira procura pila - Ora bem, pergunto-me se quem fez esta pesquisa era a mãe solteira que procura alguém que lhe dê pila? Ou se tinha uma pila mas a perdeu e agora anda à procura dela? Ou se um terceiro individuo é que anda à procura de uma mãe que precise da ajuda da sua pila? Deu para entender? Em todo caso... filha... não é aqui.

Prostituta enraba cliente - Não estou a ver o que pode haver de interessante e novo nisto. O que não falta aí são putas que enrabam clientes. Ainda hoje recebi a carta da empresa que me fornece a internet+televisão+telefone, com a conta, e encaixa perfeitamente neste perfil. Não sei se vos acontece o mesmo.

Desenhos de miúdas malandras - Isto é coisa de geek. Gajo que é gajo quer fotos, quer vídeos XX, quer carne com carne, quer gajas a ganir. Não quer desenhos. Muito menos de miúdas malandras??? Dasss, o que é que são miúdas malandras? Isso é coisa de gente que vive num mundo paralelo onde os pipis parecem vias lácteas e as mamas são balões da festa de anos da Xana Toc-Toc.

Putas a serem enrabadas por três pretos - Ora aí está coisa de macho. Adiante... O meu primeiro pensamento foi: Ninphomaniac. Lembrei-me daquela cena em que a Joe, com aquele ar de sonsa de quem nunca fez um broche sem se benzer três vezes, se enrolou com dois pretos matulões e narrava em simultâneo os problemas de masculinidade que isso desencadeava. Ao que parece, sem querer entrar em muitos pormenores, em determinado momento os dois homens sentem-se a roçar um no outro. Ora onde é que isto me leva ao tema "putas a serem enrabadas por três pretos"? A lado nenhum. Só me lembrei mesmo da Joe e dos negões.

Pessoas porcas - [esta pesquisa foi feita, claramente, pela mãe do jovem que fez a pesquisa anterior]

Coisas que fazem desarrepiar os mamilos - Finalmente, uma coisa com interesse. Um assunto atual, pertinente, e que me devolve aquele sentimento de que este blog ainda tem alguma coisa para oferecer às pessoas. Quantos de vocês não vivem com esse flagelo de ser confrontados diariamente com coisas que vos fazem, não arrepiar mas, desarrepiar os mamilos? Todos os dias meus amigos. Todos os dias. Vejamos: Se não é da conta da EDP é da conta da Meo, mas sempre que abro as faturas sinto que parte de mim definha, morre mesmo, a começar pelas peitaças que murcham até ao umbigo. Outro exemplo: hoje, aquela saia rodada da minha colega da sala do lado era qualquer coisa de me fazer murchar os mamilos. E a falta de dentes do outro colega de baixo também não me faz arrebitar as pontas. Ora bem, assim de repente também me lembro do fulano que diz "prontus" no fim de cada frase, e de como isso também não me excita particularmente. Pessoas que mascam pastilha de boca aberta, e dão apertos de mãos com as palmas suadas, também me desarrepiam os mamilos (bem... talvez não... mas pelas piores razões). Outra coisa que me desarrepia os mamilos, mas imagino que arrepie muita coisa a muita gente, são a porra dos leggings brancos em cus que mais parecem pães de milho, e soutiens pretos debaixo de blusas brancas! Epá, chega!

Ah! Mas agora a sério, há outra coisa que me desarrepia completamente os mamilos: o Jesus ir para o Sporting... Dasss... a sério... não consigo parar de pensar com que merda de penteado é que vai aparecer agora?