terça-feira, 26 de novembro de 2013

Bizarrias, Google e Blogs - II



Não, não venho falar do Big Brother nem do Secret Story.
(Um grande Oooohhhhhhhhhhhhhh...)

Vamos falar de coisas sérias.
Na altura senti-me desconfortável com a situação porque, se por um lado achei que estava a enganar as pessoas [há que ser honesto, ninguém vai encontrar aqui uma resposta para a pergunta "Como saber se sou gay?" nem vai encontrar "Trancas para homens", e é uma pena, porque este blog seria muito melhor se aqui se encontrassem respostas às inquietações das pessoas], por outro lado estava a divertir uma, não menos importante, parte do público [que eu sei que vocês gostam muito mais de uma rambóia do que de poemas tristes, e ai a morte e a desgraça da minha vida, e os anjos que me vão levar desta para melhor, e o raio que me parta...].

Mas hoje, que até estou particularmente entediada, voltei a deparar-me com as pesquisas que as pessoas fazem, por esse mundo fora, e que as trazem até ao Dias Cães.
As pesquisas estão menos intensas, talvez menos ousadas, é um facto. São também em menor número, mas, bem sabemos, que a culpa é da crise.
Ai não é?
Mas vamos dizer que sim, está bem?

Ora aqui ficam as novas pesquisas (são poucas mas é o que temos):


Os Chineses têm pila pequena - Ai filha, se fossem só os Chineses... Mas adiante. Se isto era só uma afirmação, um recado, uma chamada de atenção, um alerta para a minha pessoa, fica aqui registado que chegou cá e que eu li. Mas tenho uma informação para a troca: Os Chineses comem cães, e gatos, e ratos, e a mãe, e a tia, e a avó, e a prima afastada... De certeza que ainda queres ver se os Chineses têm a pila pequena?


Me chama de putinha safada - Não nego que acho isto divertido. "Putinha Safada" é bonito. Até tem assim um ar carinhoso. Quase em contraste com a nalgada bem assente que um pedido destes merece. Do género: "mi batxi na bundinha e mi chama dxi putxinhá Safádaaaaaa". 
Agora porque é que isto veio para a este blog eu não consigo saber. É para eu chamar putinha safada a alguém? (Por acaso és a minha vizinha do 4º Esquerdo? É que se fores ouve-me bem! Ando há meses para te dizer: "Bom dia sua putinha safada, vê lá se levas o cão a mijar à rua em vez de me mijar aqui no tapete"). 
Vai-se a ver e isto pode ter múltiplas utilidades.
Obrigada pelo seu contributo nestes blog, cara leitora!


Pila grande pequena - Ou é grande ou é pequena, decida-se. Ou quer ver o catálogo todo? Ou está a falar enquanto objecto tridimensional que pode ser grande no comprimento e pequeno na largura? Ou grande na largura e pequeno no comprimento? E na altura? Onde entra a altura? 
Agora percebo a rasteira nesta pesquisa. Pode ser uma assunto muito complicado.
Quer um conselho? Para reduzir o número de resultados no Google procure só "pila grande". Tá ?


Vaca e puta diferença - Às vezes também tenho dificuldade em distinguir. Por isso, aqui fica o meu truque, uma mnemónica infalível:
Eu penso nas pessoas aqui no meu trabalho e questiono-me: "A gaja que me entalou junto do chefe é uma vaca ou uma puta?" (resposta: é uma vaca); 
E questiono-me "A gaja que anda a papar o meu chefe, que é casado, só para subir na carreira, é uma vaca ou uma puta?" (resposta: é uma puta).
Não sei se sei explicar bem isto mas acho que tem a ver com a combinação de sexo, dinheiro e esperteza. Porque vejamos, a vaca nem fode, nem é aumentada, nem é lá muito esperta porque, se fosse, não se tinha metido comigo. E a puta, fode com o chefe, é aumentada, e ainda tem a esperteza de precisar de mim.



quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Um outro homem



É errado querer o corpo de outro homem?
Querer ser possuída por outra alma?
Por outra mente.
Será errado querer suar às mãos de um novo amante?
Gemer junto de um outro pescoço.
Sussurrar palavras noutros ouvidos.
Querer que outras mãos me agarrem as coxas.
É errado desejar conhecer a pujança de outro homem?
Saber como me amaria?
Como partilharia o seu corpo com o meu.
Como me olharia nos olhos.
Se olharia sequer?
Será errado querer outro cheiro na minha pele?
Sonhar acordada com os seus lábios.
Desejar as marcas dos seus polegares na minha carne.
Querer que o seu prazer acabe dentro de mim.
Será errado querer ser sua numa solitária noite?

Será errado imaginar que o nosso homem poderia ser outro?

Será errado fechar os olhos e sonhar?



segunda-feira, 18 de novembro de 2013

A Grande Semana




Sais de casa bem lampeira.
Compões o cinto de segurança sobre o casaco para não o amarrotar. Olhas feliz para as botas de salto que escolheste hoje, logo hoje, e que há tanto tempo não calçavas porque "não me dá jeito ir de saltos altos". Ajeitas os pés para não riscares as botas nos pedais do carro e arrancas com cuidado para te habituares à diferença dos saltos. Está um frio dos diabos, o carro não tem AC nem DC nem coisa nenhuma que aqueça mas tu aguentas. Porque tens de aguentar, porque são só 5 km até ao trabalho, e porque não tens outro remédio. Se queres um carro melhor, arranja-o. Andas 100 metros e o carro morre. Morre porque tinha de morrer. E tu bem sabes que sim, por isso sais do carro, ligas a uma amiga para te ir buscar e nem mudas de botas de saltos altos para botas sem saltos porque estás tão embriagada com isto tudo que nem te dás conta de nada. À noite chegas a casa, realizas que a tua liberdade foi-se desta para melhor, ligas ao reboque, ao mecânico e à mãezinha para chorares, e depois metes a cabeça na almofada que amanhã é outro dia e faz de conta que o carro vai estar outra vez à porta pronto a pegar. De manhã percebes que não tens carro. Ligas a uma amiga para te ir buscar. Sentes-te um peso. Ligas ao mecânico na esperança de ir buscar o carro ainda hoje e percebes que o carro não se safa, que morreu, que vais ter de comprar o passe de autocarro, que não há autocarro da tua casa para o teu trabalho, que demoravas cinco minutos de carro e agora vais demorar uma hora para cada lado.
Sentes-te fodida.

Abres o teu computador de estimação.
Custou-te os olhos da cara, é branquinho, tem design, e mais nenhum amigo teu tem um. Gostas mesmo do teu computador. Precisas dele todos os dias, ora escreves, ora vais à net, ora tratas umas fotografias, ora ouves umas músicas. Um dia, naquele dia em que menos te dava jeito, ele deixa de funcionar. Não consegues aceitar. Há meses que ameaçava morrer, que falhava aqui e ali, mas não, uma máquina destas é para a vida, nunca avaria e isto não passa tudo de um engano. Mas o computador morreu. Ligas a um amigo, pedes o contacto do melhor sítio para o arranjar, levas o computador ao senhor doutor e ficas semanas sem saber alguma coisa dele. Chega um mail, diz que é pouco, que é só uma peça, que não é nada de especial.
Dizes para avançarem com o arranjo - que alternativas terias tu? - e eles dizem-te o orçamento e o orçamento nunca te poderia agradar. Tentam vender-te mais um programa, e uma atualização, e uma limpeza e uma desinfecção e tu nem dinheiro tens para mandar trocar uma tecla e só tens vontade de os mandar cagar mas tens de te aguentar que mais ninguém tem culpa da vida que tens.
Foda-se! 

Estás sem carro e sem computador.
Já não podes ir de saltos altos para o trabalho. Chegas a casa já nem podes ir à net.
Resta-te apenas a tua pessoa. O que és. O teu físico. Safou-se, pelos menos a tua condição física. A integridade de poderes levantar-te, arranjar-te, sair de casa de cabeça levantada e ir trabalhar com cara de quem tem a melhor vida do mundo mesmo que seja encavada a toda a hora.
Há um dia em que pensas tudo isso. E depois há os outros dias.
Como o dia em que acordas de manhã e tens uma puta de uma conjuntivite que te atacou a cara toda como se fosses uma folha de papel vegetal consumida por beatas de cigarros.
Em que nem sabes se abres ou se fechas os olhos, em que pareces ter levado tiros nos olhos e por isso jorram sangue, em que olham para ti como se tivesses lepra, em que tens de andar de óculos escuros no trabalho, em que, pior!, metes os óculos escuros por cima dos óculos de ver no trabalho. Em que fazes aquela puta daquela figura, com a qual gozaste durante tantos anos, que a tua tia velha fazia quando entrava de óculos escuros no café. E tu só tens 32.
É aquele dia em que o oftalmologista te faz um diagnóstico por tentativa/erro mas começa sempre pelo erro para quando chegar a acertar tu já só dares graças a Deus por estares viva, apesar de pareceres ter moléstia dos coelhos.
Em que uma córnea rasgada ou um herpes ocular te parecem sentenças de morte e por isso recebes de braços abertos a puta da conjuntivite que te fez parecer ter cento e vinte cinco olhos pequeninos na cara, em vez de apenas dois.

O teu namorado, com o sentido de oportunidade de um cobrador de impostos, aparece para uma visita. Depois de vinte e um dias sem lhe meteres os dedos em cima.
Con-jun-ti-vi-te!
Não beijos. Não coiso. Não coiso, coiso.
Período. Sempre o período. Gosta de festas. Também eu. Cabrão.
Herpes. Labial.
Herpes. Conjuntivite. Período.

Foda-se...



terça-feira, 12 de novembro de 2013

Carta do abandono



"Meu amor,

Não consigo descrever a dor. Mas sinto-a.
Não há alegria em mim. Na vida.
Os dias não têm fim. As semanas não terminam. 
Os sorrisos nunca mais se esboçaram no meu rosto. A felicidade nunca mais visitou o teu.
Sinto impotência.
Impotência por não te conseguir resgatar desse lugar fundo.
Desta tristeza cheia de dor que sinto dentro de mim quando olho para dentro da tua alma e não me vejo dentro de ti.
Que mais posso eu ser para te fazer uma pessoa feliz?
Que mais tenho de ser?
Quem terei eu de ser?
Apenas tu sabes a resposta. Talvez eu também a saiba e prefira esconder isso de mim.
Por medo. Ou por medo da perda. Ou pelo medo de poder nunca te ter tido.
De ter sido uma fraca substituição de quem te fez, realmente, feliz. 
De nunca ter estado à altura. De eu nunca ter sabido contra quem lutava. De ter travado uma luta injusta, às cegas. De ter lutado sozinha. De desconhecer que a batalha esteve sempre perdida.
Não é frustração, é dor por não estar à altura do que já conheceste como sendo amor.
Relembra-te do lugar onde já foste feliz e leva-te novamente a esse sítio, onde já soubeste o que era o amor.
Não temas essa viagem ao teu interior.
Preciso que a faças. Preciso que saibas, antes de eu saber, aquilo e quem, realmente, te elevou o espírito.
Quem te fez ter o teu pensamento entregue, apenas a si, durante todas as horas do dia.
Preciso que conheças, que reconheças, que há forças que não se derrubam.
Que há amores que se adormecem, que se fazem por esquecer, que se iludem com truques e distracções mas que nunca, nunca, se conseguem fazer desaparecer.
São aqueles que em tempos nos fizeram não querer dormir.
Que nos faziam acelerar os dias para chegarmos rápido ao próximo encontro.
Aqueles que nos faziam sofrer com os minutos. Com a distância.
Há amores que nos fazem isto.
Que não nos fazem esquecer que fomos felizes.
Que nos relembram a toda a hora que, depois desse grande amor, apenas nos passámos a satisfazer com pouco.
Que nos condenámos a, simplesmente, gostar.
Que nos abandonámos ao amor que outra pessoa nos quis dar mesmo sem estarmos dispostos a devolver o que seja.
Depois de se viver um grande amor, um beijo não irá chegar e um abraço na despedida não terá significado.
Para ti.
E para mim?
Sabes bem o que significas para mim?
Sabes o que significa o beijo vindo da boca de quem se ama?
Conheces a dor de o ver desvanecer?
Agora, depois de não encontrar alegria em nada, de me lembrar como sofro por estares longe, de não estar em paz comigo por ser quem sou, de pensar que não sou suficientemente importante na tua felicidade para te fazer estar junto a mim, sei que morri um pouco por dentro.
O passado insiste em vir ao teu encontro no presente. Mas no presente também aqui estou eu. A implorar para ser vista. A implorar para amar. E é tão difícil viver com isso. Revelo fraqueza, bem sei, mas a sombra do passado impõe-se majestosamente sobre mim. 
Esse passado, o mesmo que te entristeceu tantas noites ao deitar, vibra com fulgor.
Aparece sempre feliz ao teu lado, a lembrar-te como foi bom o que entre vocês germinou.
A sussurrar-te nos pensamentos que está ali. Que estará sempre ali.
Tu sabes, infelizmente eu também, que, se em vez de um sussurro esse passado te gritasse bem alto que te ama, que te queria fazer feliz novamente e que nunca mais te abandonaria, tu não hesitarias.

A sombra que ela é neste momento passaria a ser real e a minha existência teria o seu fim."






quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Em nome de Samael




Diz-se que vou morrer.
Que alguém me procurará.
Essa coisa da morte.
Esses anjos que são demónios.
De sorrisos cândidos e fingidores.
Estupores.
Julgam que eu não sei o que os traz.
Mas sei-o bem.
Trazem a dor.
O silêncio.
A agonia.
As promessas que se quebrarão.
As palavras enganadas.
Trazem provas de resistência.
De desistência.
Trazem decisões impossíveis.
Obrigações que todos quererão negligenciar.
Esses bastardos desses anjos virão vergar-me.
Dizer-me o meu lugar.
As minhas limitações.
A minha humanidade.
A minha grandiosa insignificância.
Vão dizer-me que sou atacável.
Vão mostrar-me que sou derrubável.
E assim irão derrubar.
Conseguirão que todos tenham pena de mim.
Que lamentem o meu findar.
Esses anjos assistirão aos choros dos vencidos.
Daqueles que não me conseguiram fazer viver.
Desses que contavam comigo para primeiro os ver morrer.

Não morro tranquila.
Julgava a morte longe do sítio onde me encontro agora.
Julgava que todos morreriam antes de mim.



terça-feira, 5 de novembro de 2013

Das estações



Chove.
Neva como se Lúcifer vestisse a pele de Deus.
Como se fizesse chorar flocos sem cor.
Fingidor.
Chove como um Diabo que se ri das dores de ossos.
Que tem prazer no escuro das almas que definham.
Tragédia desenhada a preto.
Pintada a branco.

Floresce.
Deus sorri de vitória.
Alegra-se pela batalha ganha sem dor.
Louvor.
Radiantes cores dançam entre si.
Sacodem luz e bailam pólens.
Gargalham os ventos dóceis que sopram.
Segredam a felicidade de tanta cor.

Vive.
Explode calor pelos poros.
O inferno desce à terra e faz-se verde.
Alegre.
Luta-se entre o desejo e o desamor.
Ardem os pés sobre o chão.
Nada nasce de tanto aridez.
Deus deseja frio e chuva mais uma vez.

Seca.
Juntam-se à mesa Deus e o Diabo.
Ilustram um postal em tons pastel.
Babel.
Dão as mãos no entendimento.
As verdades ganham vez.
Juntos fizeram o melhor com o tempo.
Uniram-se e as estações nasceram outra vez.




sábado, 2 de novembro de 2013

O mocho




Não te sentes observado?
Olhado por alguém, ou alguma coisa, algures entre o céu e a terra?
Como se uns olhos se tivessem cravado em ti.
Como se cada arfar teu fosse arfado em sincronia com o arfar de alguém.
Não sentes?
Não andas pela noite com passos atrás dos teus?
Como uma réplica.
Um eco.
Como se os teus pés se tivessem duplicado e caminhassem ao teu lado.
Como se alguém, em vez de andar apressado, se arrastasse atrás de ti.
Nunca olhas para trás, sobre um ombro amedrontado?
Com os olhos latejantes de medo.
Com a cabeça metida num labirinto de caminhos desconhecidos.
Perdida.
Quantas vezes te questionas se haverá alguém te conheça profundamente?
Que saiba tudo de ti.
As vezes que sorris.
O número de palavras de exibes pela voz.
Quantas folhas folheias antes de dormir.
Quantas horas corres na solidão.
Pensas mesmo que estás protegido?
E que as palavras te escondem o rosto e o carácter?
Então agora olha para trás.
Vê bem o que tens atrás de ti.
Rende-te aos pés que assentas agora sobre o chão.
De nada adianta quereres fugir.
Perceberás que há sempre qualquer coisa que nos vê.
Que nos procura e que nos encontra.
Que haverá sempre obscuridade na solidão.
E alguém, ou alguma coisa, que se move melhor que nós nessa obscuridade e nessa solidão.
E que nos vigia a cada segundo, mesmo nas longas noites que acreditamos estar sozinhos.
Mesmo quando acreditamos que a nossa vida, até para nós, terminou.
E agora?
Não te sentes observado?

Bem vês. 
Nem sempre um fim acaba bem.