terça-feira, 5 de novembro de 2013

Das estações



Chove.
Neva como se Lúcifer vestisse a pele de Deus.
Como se fizesse chorar flocos sem cor.
Fingidor.
Chove como um Diabo que se ri das dores de ossos.
Que tem prazer no escuro das almas que definham.
Tragédia desenhada a preto.
Pintada a branco.

Floresce.
Deus sorri de vitória.
Alegra-se pela batalha ganha sem dor.
Louvor.
Radiantes cores dançam entre si.
Sacodem luz e bailam pólens.
Gargalham os ventos dóceis que sopram.
Segredam a felicidade de tanta cor.

Vive.
Explode calor pelos poros.
O inferno desce à terra e faz-se verde.
Alegre.
Luta-se entre o desejo e o desamor.
Ardem os pés sobre o chão.
Nada nasce de tanto aridez.
Deus deseja frio e chuva mais uma vez.

Seca.
Juntam-se à mesa Deus e o Diabo.
Ilustram um postal em tons pastel.
Babel.
Dão as mãos no entendimento.
As verdades ganham vez.
Juntos fizeram o melhor com o tempo.
Uniram-se e as estações nasceram outra vez.




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