sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Desiste de ti mais uma vez



Por vezes nascem começos.
Outras vezes morrem fins.
Firmam-se virtuosismos de alma.
Desmascaram-se fraquezas de corpo.
Engana-se a verdade.
Desiste-se das mentiras da boca.
Mostra-se o medo com os olhos.
Chora-se para dentro.
Grita-se sem pulmões.
Amarga-se a voz.

Por entre dias em que em tudo se crê.
Por entre noites onde se matam os sonhos.
Percebem-se as ilusões.
Aterram-se nelas de joelhos.
Arfa-se a dor do não-entender.
Cede-se.
E cede-se outra vez.
Os ombros caem de rendição.
O peito aquieta a pulsação.
A boca seca sem sabor.

Pulula a dor sozinha de quem se entregou.
Os olhos esvaziam-se do passado.
O passado desiste de o ser.
Acabam-se as memórias claras.
Abre-se os olhos de aceitação.
Recosta-se a nuca no pescoço.
Olha-se o céu.
Aceita-se o que se é.
A vida segue sem encanto.
Aquele encanto que lá se findou.

Tem-se vontade de desaparecer.
Desaparece-se por uns tempos.
Sente-se falta mas esquece-se.
Finge-se que se é duro.
Finge-se quase até acreditar.
Morre-se a tentar.
Mas tenta-se mais uma vez.
Sabe-se que nem vale a pena forçar.
Mas desiste-se mais uma vez.
Desiste de ti só mais uma vez.


À T.



9 comentários:

  1. desisti. mais uma vez.
    dói. tanto.

    ResponderEliminar
  2. without a set of goals, where no agenda lies
    just a followed heart and don't apologize

    ResponderEliminar
  3. Espreito este blog tantas vezes e em tudo o que escreves, encontro sempre um pouco de mim. Mas não desisto de mim, desisto de quem desistiu de mim... falho bastante na tentativa.
    ~
    Gosto do Dias Cães, parabéns!

    ResponderEliminar
  4. Não desistas. Nunca podemos desistir :)

    ResponderEliminar