quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Culpa de um não-amor




Agoniada paixão que finjo sentir,
Exorto sentimentos que não tenho.
Alimento ninhos ocos que morreram.
Reprimo desejos desfasados.
Olho nuns olhos negros de remendos.
Tenho instantes longos de um não-amor.

Malogrado momento em que te vi.
Desesperei por coisas que não tinha.
Fui fingindo eflorescências que não o eram.
Combati bateres de asas que viviam.
Matei cantares que entoaste para mim.
Calei amarguras lindas que não sentia.

Morreu o beijo desesperado por sentir.
O toque irado da pele nunca o chegou a ser.
A vontade negra de sorrir nunca se coloriu.
Os brilhantes lacrimejares foram de culpa.
Dormências senti mas não de amor.
Desmoronei a verdade de te amar por nunca te ter amado.




3 comentários:

  1. «A vontade negra de sorrir nunca se coloriu.
    Os brilhantes lacrimejares foram de culpa.
    Dormências senti mas não de amor.
    Desmoronei a verdade de te amar por nunca te ter amado.»

    Autch! muito bom!

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  2. Versos que despem uma Essência com um grito ensurdecedor nas entrelinhas.
    Magnífico!

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  3. Nem sei que dizer, além de: espero que isto seja só um limpar de alma cheio de liberdade artística e não seja biográfico.

    Fui atropelada por um camião de emoções.

    Beijinho,
    Ana

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