18.9.17

E agora, algo completamente diferente!





A minha afilhada mais pequena, disse hoje à mãe:

"Mãe, gostava de experimentar ter um filho mas gostava que fosse anão, para ficar sempre assim pequenino".


Ora bem, acho que a humanidade concorda em dar o prémio "Diz lá a cena mais marada, sinistra e perturbadora  que te lembras" a esta criança. Ou então é de mim, que estou sensível.
Mas cheira-me que isto é só o primeiro capítulo de outros que se estão por desenrolar.

[Mãezinha, não a queiras mandar exorcizar, não!]



Cães vadios

Lee Jeffries



Na noite,
Há os cães e os vadios.
Almas moribundas,
Perdidas.
Corpos perdidos,
Devastados.
Consumidos pela solidão,
Pela vida,
Pela morte,
Por tragédias e desgraças.
São gente viva,
Mas sem vida.
Uns há,
Que nem gente são,
São cães,
São vadios.
São os restos,
Da civilização.

14.9.17

Está tudo bem...




...Porque o Tony vai continuar a ser:

- Um grande azeiteiro;
- Milionário, mas azeiteiro;
- O tipo que não canta ponta de um chavelho;
- O tipo de quem já ninguém espera melhor (é óptimo viver sem a pressão de ter de ser um Beethoven);
- Que usa o cabelo à Paulo Bento;
- Que usa há vinte anos o cabelo à Paulo Bento;
- Que usa tanga de lycra da Speedo;
- Que escondeu que tinha uma família "por causa das fãs" (ahahahah, tá bem, ó Tony!)
- O tipo que está numa crise de meia-idade e "adora" a ideia de ser avô (só que não);
- Que deixou a mulher quando ela estava mesmo boa;
- Que gosta tanto de música como eu de lagares de azeite;
- Aquele que fez o melhor uso da palavra do ano 2016, segundo o Dicionário Oxford*;
- A pessoa que vai continuar a deter o recorde de ajuntamento-de-mais-mulheres-bimbas-por-centímetro-quadrado-em-circuito-fechado-e-a-preços-pornográficos;
- E que vai continuar a rir-se de tudo e todos...

(... incluindo do José Cid, que é outro que também se deve estar, positivamente, pouco cagando para penteados. Estão mais unidos do que pensam, irmãos).




*Pós-verdade
Segundo a definição dos dicionários Oxford, pós-verdade ('post-truth' em inglês) é um adjetivo que faz referência a "circunstâncias em que os factos objetivos têm menos influência na formação de opinião pública do que os apelos emocionais e as opiniões pessoais".






7.8.17

Não, isto não interessa nada.





Não tenho escrito nada mais porque penso em mil coisas ao mesmo tempo, e o pensamento é mais rápido que a escrita, do que propriamente por falta de assunto.
Se há coisa com que a vida não me tem faltado é com assuntos, e temas, e episódios, dignos de ser partilhados.
Neste momento, depois de ter preparado um esparguete (o corretor ortográfico do blogger diz-me que se escreve espaguete. Spé bem, este corretor) à bolonhesa sem glúten, sem lactose, sem sal, sem sabor, aterrei aqui no sofá, ainda de avental - coisa que não envergava há anos - e deixei-me colar à televisão. A ideia era relaxar mas, honestamente, não faço a mínima ideia do que vi durante os últimos trinta minutos porque esta cabeça está mais congestionada que a linha verde em hora de ponta. Nestes trinta minutos a olhar para a televisão, mas sem ver nada, pensei:
- Tenho mesmo de lavar o chão hoje.
- Tenho a roupa que está em pilha, qual Torre de Pisa, para passar a ferro.
- Fizeram-me mais um risco no carro. Foi o tal fulano: "Ai tal, posso fotografar o seu carro exótico?", o gajo já me estava era a lixar. Foi ele. Deve ter sido. Ou foi no parque?
- Enganei-me outra vez a comprar os cereais.
- Esqueci-me do papel higiénico, outra vez...
- Hmmm, gostei do esparguete sem glúten? Não sei. Talvez sim. O melhor mesmo é deixar de comer esparguete.
- Comi um pastel de nata à tarde. Porra. Tem glúten... E açúcar... Não te fazia falta. Caraças...
- O que é que se passou pela mona da Maria Vieira? Gostava dela...
- E o Dr. Gentil Martins? Ai, por céus... 
- O curso de costura está a ser um bocado banhada. Tenho de inventar uma desculpa para desistir. Uma desculpa, uma desculpa, desculpa... já paguei. Gaita, tenho de continuar a ir.
- Está calor, tenho de me ir despir.
- Onde é que compro lycra às riscas?
- Tenho as pernas inchadas. Devia voltar às massagens. E ao yoga.
- Tenho de marcar a consulta com a psicóloga. Amanhã, ou depois...
- Tenho a cozinha por arrumar. Tenho de a ir arrumar. Não sejas lontra;
- Podia dormir uma sestinha... 10 minutos... tenho tempo de arrumar tudo depois;
- Vá, levanta-te mulher!!!!
- Amanhã entro de férias. Nice. Tenho tempo amanhã para fazer tudo;
- Recursos Humanos. Recursos Humanos. Recursos HumanosRecursos Humanos. Recursos Humanos. Recursos HumanosRecursos Humanos. Recursos Humanos. Recursos Humanos. Recursos Humanos. Recursos Humanos. Recursos Humanos. Recursos DEShumanos.
- (estúpida, idiota, burra, parva, sonsa, fingida, estropício, cobra, vaca, porca,  falsa, incompetente, otária...)
- Respira. Amanhã já estás de férias. Inspira! Expira... Inspira! Expira... Inspira! Expira...
- (estúpida, idiota, burra, parva, sonsa, fingida, estropício, cobra, vaca, porca,  falsa, incompetente, otária...)

- Porra. Que dor de cabeça... estou feita em pickles...


19.7.17

Tenho tudo



Estava aqui a pensar na vida.
Na minha.
Num exercício para tentar entender o retorno que o universo me está a dar.
E compreendi rapidamente que na minha vida há de tudo.
A minha vida é, simultaneamente, triste e bonita.
A minha vida é boa e é má.
É serena e é eufórica.
É complicada e é simples.
É romântica e é dramática.
Tem terror e tem comédia.
Tem letargia e tem ação.
Tem amigos e tem inimigos.
Tem ódio e tem amor.
Tem medo e tem coragem.
Tem gratidão e tem cobrança.
Tem conforto e tem aridez.
Na minha vida há sentimentos e há o vazio.
Há motivação e há inércia.
Há inteligência e há ignorância.
Há deslumbramento e há desilusões.
Há encantamento e há realidade.
Há o sangue e há as escolhas.
Há decisões e há incertezas.
Há fé e há dúvidas.


Tenho tudo na minha vida.
Tenho tudo.
Apenas ando a valorizar as coisas erradas.


8.7.17

Epifanias




Há um dia em que aquela pessoa, que não é mais que apenas uma pessoa na tua vida, se torna muito mais que uma pessoa até mesmo dentro da pessoa que ela é.





7.7.17

Fingimento




Neste momento existe um grupo de pessoas felizes, a conviver, a comer, a beber copos e a conversar. A serem pessoas, no fundo, e eu fugi de lá. Sem sair. Evadi-me apenas.
Das coisas mais curiosas que podemos sentir, é quando o nosso corpo não é nosso e estamos dentro dele a observar o que se passa lá fora.
Hoje sinto-me assim. Como em tantas outras vezes. Ou estava a sentir-me assim naquele grupo de pessoas. Os meus olhos pareciam observar uma cena fora da realidade e eu estava ali a forçar-me a ser como eles. A reagir, a conversar, a sorrir, a andar, a movimentar-me como todos eles.
Aquele grupo de pessoas felizes, estavam todos tão felizes como eu. Aposto. Talvez seja isso. Uma espécie de pólos invertidos que acabam por se repelir em vez de se atraírem. Talvez cada um, à sua maneira, estivesse a encenar a sua verdade. E eu, dentro daquele corpo emprestado, observava, não segura, o que cada um estava a tentar fazer. Perante olhares desatentos até diria que alguns cumpriram bem o seu papel mas outros denunciaram o que eu suspeitava: estávamos todos dentro de outros corpos que não queríamos estar. A representar papéis que não queríamos representar.
É trágico, e simultaneamente fascinante, observar-se a cena estando em palco. Se, por um lado, fazemos parte do elenco e isso nos coloca no papel que não queremos desempenhar, por outro lado, temos a possibilidade de ver de perto a dança de todas as personagens. A representação. Os risinhos e as amarguras que mais não são que emoções arrancadas de um guião. Inconscientes, mas, ainda assim, encenadas.
Estar no palco, é poder ver o desconcerto de cada uma das personagens quando se esquecem de uma deixa. É ver as pessoas a encruarem-se. A serem reais por milésimos de segundo. A serem aquilo que deveríamos ser sempre: nós próprios.
Apesar das mãos suadas de ansiedade, os palcos onde cada um se encontrava a representar nunca foram abandonados. Seguem, mesmo à deriva, com um guião improvisado, na esperançada angustia que ninguém repare naquele desconcerto. Que o público, que mais não é que parte integrante do espectáculo, não repare. Não vai reparar. O público anseia que ninguém olhe para eles e lhes desvende o mesmo mistério. Afinal, não há palco nem plateia. Estamos entre iguais. 
Eu há muito que abandonei o meu lugar, com a habilidade de um bom actor que já desistiu da peça mas ninguém reparou. Apenas me mantenho de pé. Com as pernas firmes e o rosto estendido. Para ninguém desconfiar. Assim, o drama não toma conta de todos e não se alastra como um rastilho desgovernado.
Assim, só eu, apenas eu, sei aquilo que todos sabem dentro de si mas não ousam, sequer, a si próprios confessar: somos todos fingidores.




17.6.17

17.06.2017



O mundo acabou.
Naquele dia pôs-se tudo negro e o céu uniu-se ao chão.



14.6.17

Serei só eu?





Aquela sensação de que passas a vida no trabalho...

... mas depois recebes uma carta dos Recursos Humanos para justificares horas em falta...



[e saberes que quando sais às 18:00 já não está ninguém a trabalhar, mas ninguém parece estar tão em falta como tu... dassss...]


13.6.17

Tamanho da noite




Se a noite fosse tão vasta como o amor que te tenho, 
Não se contariam os dias,
E as noites não teriam nome.
Porque não conheceriamos mundo para além delas.